domingo, 28 de agosto de 2011

O nó da gravata

Havia vinte minutos que estava naquela luta com a gravata. Como é que eu não conseguia dar um nó, ato que repetia quase todos os dias? Era a pressão do tempo. Quando comecei minhas tentativas já estava quase quinze minutos atrasado para iniciar a aula. Como deixara isso acontecer? Logo eu que sempre me preocupo em ser pontual, falo rotineiramente sobre isso em todas as oportunidades que tenho. Semana passada mesmo, fui contundente ao palestrar sobre Marketing Pessoal na Faculdade Pitágoras. “É inadmissível se atrasar para um compromisso profissional”, afirmei. 

No entanto estava ali, naquela luta desesperada com uma simples gravata. Minha secretária, desesperada tentava justificar o injustificável para o público dizendo que eu já estava quase pronto para iniciar. Fazia isso e vinha ao meu auxílio com a “maldita gravata”. Eu rejeitava a ajuda, haveria de conseguir. Estranhamente minha então esposa estava como minha secretária naquele dia e já manifestava seu descontentamento comigo, à beira de um ataque de nervos. Inaceitável. Eu atrasado. Minha habitual calma se transformou em terror diante da minha incapacidade de resolver o problema. Sim, estava aterrorizado, pois experimentava uma gravata não conseguia dar o nó, tentava outra e nada. Por quê? E havia muitas gravatas lá, pelo menos seis e o nó não funcionava. Quando pensava ter conseguido ele desmanchava e o sofrimento aumentava. 

Quarenta minutos depois do horário, e nada. Intolerável, eu não aceitaria tal atraso se tivesse esperando. Os alunos que já estavam impacientes chegavam próximos da porta do banheiro para saber o que estava acontecendo. Praguejando, fechei com o pé a porta, que estava aberta. Acontecer isso justamente no primeiro dia de curso em uma cidade onde nunca havia ido. Peguei a gravata preta, embora só a usasse em reuniões da maçonaria resolvi fazer a tentativa. Também não deu. Nisso ouço lá fora: “Onde estão o púlpito, equipamento de som, microfone, câmera, telão... que o cara da rádio falou que tinha?” Não acredito! Mais essa, não havia nada montado ainda. Sempre chego pelo menos meia hora antes para testar o equipamento, que geralmente o pessoal deixa preparado, mas justamente o dia que chego atrasado deixaram tudo pra eu montar. As pernas tremiam, o estômago doía, o coração disparava. O que fazer? 

De repente olhei no espelho e... a barba crescida. Que descuido, esqueci de me barbear. Peguei a gravata laranja, a mais feia que tenho, até hoje me pergunto como pude comprar aquilo. Nada. Mas tinha certeza que estava fazendo tudo certo e os nós desmanchavam. Nossa! Faltando dez para as oito. Deveria ter começado às sete. “Quero meu dinheiro de volta”, ouvi. Naquele momento seria capaz de fazer qualquer coisa por uma gravata de zíper, as mesmas que usei há uns vinte anos em ocasiões especiais, quando não tinha o hábito nem a necessidade de usá-las profissionalmente. Era simples e rápido, e daí se eram feias? Não estaria passando por aquele vexame. “As pessoas estão indo embora, não precisa sair mais.” Disse minha então esposa e secretária. Molhado de suor, lívido, desesperado, totalmente transtornado.... acordei. Ufa que pesadelo!

Instituto Integrado de Gestão sediará Curso de Oratória em Bom Despacho


No mês de setembro, a Rodrigues Comunicação e Marketing - RCEM, em parceria com o Instituto Integrado de Gestão, realizará pela primeira vez o Curso de Comunicação e Expressão na cidade de Bom Despacho. Todas as informações acerca do evento podem ser obtidas no local ou pelo telefone. Veja outros detalhes na imagem ampliada. "É uma satisfação muito grande trabalhar em uma cidade que tem como slogan "Cidade Sorriso", só posso estar feliz." Afirmou Reginaldo Rodrigues. O Curso de Oratória de Bom Despacho tem o apoio do Instituto de Gestão de Bom Despacho, Jornal Fique Sabendo, Rádio Ativa FM. Eldorado Restaurante e Pizzaria, Panificadora Nhac Bom e Gráfica Ingrabom.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Ética? E eu com isso...

O meu amigo, jornalista Roney Lobato, iniciou um artigo em um determinado momento suscitando-nos a uma reflexão. Devolveria o troco que, por ventura, a funcionária do caixa teria lhe dado errado, se você tivesse percebido o erro? Ou faria de conta que não tivesse visto? Entregaria ao dono uma possível mala de dinheiro, encontrada na rua, se você soubesse de quem ela era? São perguntas para muitas pessoas difíceis de serem respondidas nos dias de hoje. Isso, porque o famoso “jeitinho brasileiro”, aliado à degradação dos princípios éticos tem falado mais alto no cotidiano do nosso povo. Pela escrita do autor, esse comportamento seria algo cultural no Brasil, tanto é que em outro trecho do mesmo artigo ele cita exemplos de pessoas que se tornaram notícia pelo fato de devolverem malas de dinheiro ou bens de valor considerável aos seus respectivos donos. Deveria ser regra, mas é exceção. Os valores confundem-se e não temos mais certeza do que é correto e do que não é, do que é ético e do que é antiético e assim por diante.

No ambiente corporativo vemos e ouvimos vez por outra que um determinado profissional foi demitido, pois era suspeito de espionagem ou tráfico de informações. Diz a lenda que Bill Gates trabalhou na Apple, roubou ideias e segredos para em seguida fundar a Microsoft. Certa vez Steve Jobs sobre isso disse: "Como eu me sinto com Gates ficando rico com as ideias que tivemos... bem, a meta não é ser o homem mais rico do cemitério". Outro caso “famoso” é o da Coca-Cola que teve acesso a segredos de estratégias de vendas e marketing da rival Pepsi. A marca Pepsi era franquia do grupo argentino Baesa e tinha como objetivo aumentar sua participação no mercado brasileiro de refrigerantes, controlado pela Coca-Cola, que dominava cerca de 50% das vendas, comparado com 6% da Pepsi. A Baesa tinha como objetivo chegar a 30% de participação no mercado em poucos anos. Foi descoberto que um técnico de som gravou reuniões da Baesa e entregou as fitas das conversas à Coca-Cola, que ficou sabendo de todos os planos estratégicos da Pepsi, podendo assim tomar as medidas adequadas para se prevenir. A Pepsi, que conseguiu aumentar as vendas no começo para 8% do mercado, despencou para 4% em tempo muito curto e depois de seis meses o grupo Baesa vendeu a franquia da Pepsi para a Brahma.

Poderíamos citar vários outros casos envolvendo marcas conhecidas. Reduzindo a discussão para micro-ambientes, um conhecido meu tem uma fórmula de molho especial para sanduíches, que não conta nem para a esposa. Mesmo no período em que não atuava no segmento de alimentação, agora voltou, divulgou a tal receita. Outro exemplo parecido, empresário do setor de veículos, um amigo de longa data, descobriu, não sei como, um jeito de fazer doce de leite sem a adição de açúcar. Foi inclusive entrevistado em programas de Tv onde os jornalistas tentaram de todas as formas, sem sucesso, extrair o segredo. Posso garantir que o doce é uma delícia.

Mas onde queremos chegar, de maneira objetiva, com essa discussão? O objetivo é saber, ou propor uma reflexão, sobre até que ponto é interessante repassarmos os conhecimentos aos nossos funcionários e estagiários. Um autor, não me lembro o nome, afirmou que o conhecimento não vale absolutamente nada se não puder ser compartilhado. Por outro lado uma antiga professora minha do curso Gestão Estratégica em Marketing disse que devemos ensinar o “pulo do gato” e não o “puuuuuuuulo do gato”, ou seja, nunca ensine tudo sob pena de criar um concorrente futuro.

Em época de concorrência desleal e acirrada é sempre prudente tomar certos cuidados. Os valores estão distorcidos, as pessoas não se respeitam e não existe consideração para com o outro, como afirmou Lobato em seu artigo. Hoje você estende a mão, apoia, ensina, ajuda, e amanhã poderá ser surpreendido com uma sonora bofetada. Pior, isso é normal. Por mais que saibamos disso, é difícil aceitar tal comportamento, considerado uma traição. Mesmo saindo do padrão clássico da traição, que remete-nos ao adultério, atitude assim pode ser tão dolorida e sofrida quanto. Mas o mercado é frio, pessoas são calculistas por estarem neste contexto. Embora simpatize mais com a teoria do citado autor desconhecido, não dá para desprezar a opinião da minha “querida e velha professora” Ruth.

Reginaldo Rodrigues e Ricardo Rabelo na Rádio Nova FM

Reginaldo Rodrigues e Ricardo Rabelo no estúdio da Nova FM em Divinópolis

Rádio Minas: Reginaldo Rodrigues concede entrevista ao jornalista Sílvio França

Reginaldo Rodrigues e Sílvio França no estúdio da Rádio Minas em Divinópolis