sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
terça-feira, 6 de novembro de 2012
segunda-feira, 23 de julho de 2012
A Casa dos Políticos
Permitam-me fazer uma reflexão, não como Consultor
de Marketing, e sim como eleitor. Por mais que minhas análises sejam
mercadológicas e pragmáticas, sempre focadas em resultados, quero “viajar” um
pouco em uma entrevista concedida pela cantora Rita Lee em um determinado
momento. A polêmica artista fez uma mistura bastante interessante, uniu dois
temas que despertam sentimentos diferentes no público: a política e seus
representantes e os reality shows.
Ouso dizer que foi uma ideia digna dos principais gênios criativos, a que foi
apresentada por ela.
Antes, dediquemos um parágrafo a esse formato de
programa. No Brasil, o primeiro reality a
fazer realmente sucesso, proporcionando altos índices de audiência à Rede
Globo, foi o No Limite no ano de
2.000, inspirado no americano Survivor.
As pessoas eram levadas a um determinado local e deveriam sobreviver com os
recursos naturais e o mínimo de comida conquistada através de provas durante o
programa. Após isso surgiram A Casa dos Artistas do SBT em 2001 e o Big Brother Brasil em 2002, que para
muitos é o que há de pior na televisão brasileira. Depois vieram várias edições
dos programas citados e outros, incluindo A
Fazenda da Rede Record, que mesmo criticados, continuam rendendo altos
índices de audiência e consequentes lucros às emissoras.
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Voltando
a Rita, reclamando da inutilidade dos programas mencionados, ela sugeriu que
todos os pré-candidatos a Presidência da República naquela ocasião fossem
trancados em uma casa. Certamente lá, eles debateriam sobre os problemas
sociais, econômicos e os demais enfrentados pelo país. Teriam muito tempo
para falarem sobre seus planos de governos e seus pensamentos, sobre os
diversos assuntos de interesse público, tudo isso sem a presença de
assessores e marquetólogos.
Em um determinado
dia da semana, assim como acontece nesse formato de programa, o público
votaria em um que seria eliminado. Segundo ela seriam resolvidos vários
problemas dessa forma. Os candidatos apareceriam sem máscaras, como realmente
são, não haveria a necessidade de programas eleitorais e a campanha seria
financiada por parte da arrecadação dos próprios telefonemas, evitando assim
a necessidade de corromper-se empreiteiras, empresas de lixo e outras sob
alegação de arrecadar fundos de campanha. Ao final, àquele que sobrevivesse a
todas as eliminações e provações receberia como prêmio, o cargo de mandatário
maior do país.
Se eu
não fosse profissional de marketing poderia achar a ideia brilhante, aplaudiria
de pé a proposta, livrar-nos-íamos de pelo menos um desses programas e do
horário eleitoral, se bem que dessa mistura poderia surgir algo muito pior. Utopia.
Enquanto “A casa dos políticos” não entra no ar, vamos utilizar os meios
disponíveis para conhecermos o caráter e principalmente as intenções dos candidatos,
ainda mais que o programa valeria somente para as eleições presidenciais. O
rádio, a tv, os impressos e a internet são as principais fontes de pesquisa, portanto
fiquemos atentos. Convém prestarmos atenção especial ao passado dos
concorrentes para aumentarmos a possibilidade de acerto na escolha.
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sábado, 7 de julho de 2012
Eu odeio política
O malfeitorias, o
desrespeito com a população e com o dinheiro público tem provocado uma repudia
quase que generalizada em relação a classe política. Os últimos pleitos mostram
claramente esse sentimento através de números significativos de votos nulos e
brancos e o número de eleitores que não comparecem às urnas também cresce a
cada eleição. Se o voto não fosse
obrigatório no Brasil é muito provável que tivéssemos uma participação
muitíssimo menor das pessoas nas eleições.
O pensador alemão
Bertolt Brecht nunca esteve tão contemporâneo. “O analfabeto político” foi
escrito há décadas, mas parece que foi ontem: O pior analfabeto é o
analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos
políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da
farinha, do aluguel, do sapato e do remédio, depende das decisões políticas. O analfabeto político é tão
burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o
imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor
abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista,
pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.
É impossível
enumerarmos o número de denúncias de corrupção e abusos cometidos com o
dinheiro público só neste ano. É um problema que afeta pequenas, médias e
grandes cidades mesmo com o empenho dos órgãos fiscalizadores. E o que era para
gerar indignação e protestos veementes e, principalmente mais critério na hora
do voto, curiosamente causa apatia, ou um sentimento negativo sem ação ou
articulação para a solução do problema.
Há de se fazer uma
reflexão a respeito. Como é que um país que tem um dos sistemas eleitorais mais
práticos e modernos do mundo, copiado por diversos países, não consegue passar
credibilidade para seu povo através da classe política? Não podemos aqui
inocentar esse mesmo povo e eximi-lo de responsabilidade pelos políticos
desonestos que estão no poder, não chegaram lá sozinhos. Ao mesmo tempo,
precisamos de novas lideranças, pessoas com pensamento coletivo e capacidade
moral acima de tudo.
Caberá também ao “novo
político” mostrar para as pessoas a importância da participação delas no
processo de escolha, afinal de contas os escolhidos irão representá-las e tomará
decisões por elas. Esse trabalho de conscientização, que deve começar já na
campanha, já é uma demonstração do candidato de que tem responsabilidade
social. Importante frisarmos que os que odeiam política são governados por
aqueles a adoram. Para os desonestos, quanto mais gente odiando melhor, mais
fácil continuar, pois quem não gosta de política se omite e o ditado “quem cala
consente” nunca se encaixou tão bem.
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